A equipe da Reino sentada no chão do estúdio, de branco e creme
( CONFISSÃO DE FÉ )

Em que
cremos.

Documento público · Reino, Balneário Camboriú/SC · edição revisada 2026

A confissão de fé que fundamenta nosso ensino e orienta a vida em comunidade.

Quatro pessoas da Reino em volta de uma cadeira, no estúdio

Edição revisada 2026

( PRÓLOGO )

A Reino (We Are Reino), sediada em Balneário Camboriú, Santa Catarina, confessa publicamente a Jesus Cristo como único Senhor e Salvador, e declara, neste documento, aquilo que crê serem os fundamentos da fé cristã. Esta declaração não pretende substituir as Sagradas Escrituras, regra suprema de fé e prática, mas servir-lhes como testemunho fiel, em consonância com aquilo que a Igreja do Senhor tem confessado desde os tempos apostólicos.

Reconhecemo-nos herdeiros da fé católica (universal) expressa nos Credos Apostólico, Niceno-Constantinopolitano (381) e na Definição de Calcedônia (451); herdeiros, também, da redescoberta evangélica da Reforma do século XVI, especialmente em sua tradição reformada; e participantes da renovação espiritual em que cremos que o Espírito Santo continua a operar até hoje, com seus dons e ministérios, na edificação da Igreja universal de Cristo.

Esta confissão é pública, ou seja, é oferecida ao mundo como testemunho do que cremos; é pessoal, pois cada membro a abraça por convicção e não por mera tradição; e é eclesial, pois é o canto comum da nossa comunhão sob o senhorio de Cristo. A ela nos submetemos, sabendo que somente as Escrituras são infalíveis, e que toda confissão humana, inclusive esta, está sob a autoridade da Palavra escrita de Deus.

As referências e citações bíblicas desta Declaração seguem a edição Almeida Corrigida Fiel (ACF).

( PARTE I )

Deus

Artigos 1–3

1

Deus, o Senhor Todo-Poderoso

Cremos em um só Deus vivo e verdadeiro, criador e sustentador de tudo o que existe, visível e invisível. Ele é espírito infinito, eterno e imutável em Seu ser, sabedoria, poder, santidade, justiça, bondade e verdade. É onipotente, onisciente, onipresente, absolutamente santo e plenamente glorioso. DEle, por Ele e para Ele são todas as coisas. Confessamos que toda a existência depende de Sua vontade soberana, e que a Ele, e somente a Ele, é devida toda adoração.

Base bíblica · Gn 1.1; Êx 3.14; Dt 6.4; Sl 90.2; Sl 139.7-8; Sl 147.5; Is 6.3; Is 43.10; Lv 11.44; Rm 11.36; Ap 4.11; Ap 19.6.

2

A Santíssima Trindade

Cremos que o único Deus verdadeiro subsiste eterna e simultaneamente em três Pessoas distintas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. As três Pessoas compartilham uma só e mesma substância, essência e natureza divina, sendo coeternas, coiguais em poder e glória, e inseparáveis em suas operações externas. Distinguem-Se entre Si pelas Suas relações pessoais: o Pai engendra eternamente, o Filho é eternamente gerado, e o Espírito eternamente procede, sem qualquer divisão da unidade divina. Adoramos, portanto, a um só Deus em três Pessoas, e a três Pessoas em um só Deus.

Base bíblica · Mt 28.19; 2Co 13.13; 1Pe 1.2; Gn 1.26; Is 48.16; Mt 3.16-17; Jo 15.26; Ef 2.18; Jd 20-21; Ap 1.4-5.

3

Deus Pai

Cremos em Deus Pai, a primeira Pessoa da Trindade, fonte e princípio sem princípio na Divindade, de quem todas as coisas procedem, sem qualquer anterioridade temporal em relação ao Filho ou ao Espírito. Ele é eternamente Pai do Filho unigênito e, pela graça da adoção em Cristo, Pai de todos os que creem. Na economia da redenção, é Ele quem elege Seu povo antes da fundação do mundo, envia o Filho para salvar e envia o Espírito para aplicar a salvação. A Ele atribuímos a primazia da paternidade, da qual toda paternidade no céu e na terra recebe Seu nome.

Base bíblica · Ef 4.6; 1Co 8.6; Mt 6.9; Jo 3.16; Jo 20.17; Rm 8.15; Tg 1.17; Ml 2.10; Mt 11.27; Ef 1.3-5; Ef 3.14-15.

( PARTE II )

Jesus Cristo

Artigos 4–7

4

Jesus Cristo, o Filho de Deus

Cremos em Jesus Cristo, o Filho unigênito de Deus, segunda Pessoa da Trindade, não criado, mas eternamente gerado pelo Pai. Ele é o Logos eterno, a imagem do Deus invisível, por meio de quem e para quem todas as coisas foram criadas, e em quem todas as coisas subsistem. Na plenitude dos tempos, sem deixar de ser o que era, tornou-Se o que não era: encarnou-Se, assumindo a natureza humana, para ser o único Mediador entre Deus e os homens, o Salvador do mundo e o cumprimento de toda promessa veterotestamentária.

Base bíblica · Mc 1.1; Jo 1.1; Jo 1.14; Jo 1.18; Jo 8.58; Jo 10.30; Jo 14.9; Rm 9.5; Cl 1.15-17; Fp 2.6-11; 1Tm 2.5; Tt 2.13; Hb 1.3; 1Jo 5.20.

5

A Encarnação e as Duas Naturezas de Cristo

Cremos que, na plenitude dos tempos, o Filho eterno foi concebido pelo poder do Espírito Santo no ventre da virgem Maria, sem intervenção de pai humano. Assumiu, assim, verdadeiro corpo, alma e espírito humanos, sujeitando-se às limitações próprias da condição humana, fome, sede, cansaço, sofrimento, mas sem pecado. Em Sua única Pessoa subsistem duas naturezas completas e distintas, a divina e a humana, sem confusão, sem mudança, sem divisão e sem separação, conforme a Definição de Calcedônia. Ele é, portanto, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, cumprimento de todas as profecias e tipos do Antigo Testamento, exercendo o tríplice ministério de Profeta, Sacerdote e Rei.

Base bíblica · Is 7.14; Mt 1.18-23; Lc 1.35; Lc 24.27; Jo 1.14; Jo 8.58; At 3.22; Fp 2.7-8; Hb 2.14; Hb 4.15; Hb 7.24-27; Ap 19.16.

6

A Obra Expiatória de Cristo

Cremos que, na cruz, Jesus Cristo, em obediência ao Pai e por amor ao Seu povo, tomou voluntariamente o lugar dos pecadores, recebendo sobre Si a culpa, a maldição e a punição que nos eram devidas. Sua morte foi substitutiva, propiciatória, expiatória e reconciliadora: satisfez plenamente a justiça de Deus, cancelou a dívida do pecado, aplacou a justa ira divina e selou a aliança eterna. Cristo é a propiciação pelos pecados, suficiente em valor para o mundo inteiro, mas eficazmente aplicada a todos os que o Pai lhe deu, pelos quais Ele intercede como Sumo Sacerdote.

Base bíblica · Is 53.5-6; Mc 10.45; Jo 10.11; Jo 10.15; Jo 17.9; Rm 3.25; Rm 5.8-9; 2Co 5.21; Gl 3.13; 1Pe 2.24; 1Pe 3.18; Hb 7.25; Hb 9.12; Hb 9.28; 1Jo 2.2.

7

A Ressurreição, a Ascensão e o Atual Reinado de Cristo

Cremos que, ao terceiro dia, Jesus ressuscitou corporalmente dos mortos, com o mesmo corpo em que sofreu, embora glorificado. Sua ressurreição O vindica como Filho de Deus, atesta a aceitação do Seu sacrifício pelo Pai, inaugura a nova criação e garante a futura ressurreição corporal dos que nEle creem. Cremos também que, quarenta dias após a ressurreição, Ele ascendeu corporalmente aos céus e está assentado à direita do Pai, de onde reina como Senhor de tudo, intercede pelos Seus e enviou o Espírito Santo à Sua Igreja. De lá, Ele voltará pessoal, visível e gloriosamente.

Base bíblica · Mt 28.6; Lc 24.39; Jo 20.17; At 1.9-11; At 2.32-33; Rm 1.4; Rm 4.25; Rm 10.9; 1Co 15.3-4; 1Co 15.17-20; Ef 1.20-22; Cl 3.1; Hb 7.25; 1Pe 1.3; 1Pe 3.22.

( PARTE III )

O Espírito Santo e a Palavra

Artigos 8–9

8

O Espírito Santo

Cremos no Espírito Santo, a terceira Pessoa da Trindade, Senhor que vivifica, Consolador enviado pelo Pai em nome do Filho. Procede eternamente do Pai e do Filho, e com o Pai e o Filho é igualmente adorado e glorificado. Ele não é uma força impessoal nem mera energia divina, mas Pessoa plena, possuidora de intelecto, vontade e afeto, que fala, ensina, intercede, distribui dons e pode ser entristecida. Foi Ele quem inspirou as Escrituras, convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo, regenera o pecador, habita a Igreja como Templo de Deus, sela os crentes para o dia da redenção e distribui dons espirituais conforme a Sua soberana vontade.

Base bíblica · Gn 1.2; Sl 139.7; Mt 12.31-32; Jo 14.16-17; Jo 14.26; Jo 15.26; Jo 16.7-14; At 5.3-4; Rm 8.11; Rm 8.26-27; 1Co 2.10-13; 1Co 12.7-11; 2Co 3.17; Ef 1.13-14; Ef 4.30.

9

A Palavra de Deus

Cremos que Deus Se revela primária e plenamente em Seu Filho, Jesus Cristo, a Palavra eterna feita carne, revelação definitiva do Deus invisível. Junto a essa revelação encarnada, reconhecemos a Palavra escrita: as Sagradas Escrituras, compostas pelos trinta e nove livros do Antigo Testamento e pelos vinte e sete livros do Novo Testamento, dadas por inspiração de Deus por meio dos profetas e dos apóstolos. Tanto Cristo, Palavra encarnada, quanto as Escrituras, Palavra escrita, são genuinamente Palavra de Deus, e jamais se opõem entre si: as Escrituras dão testemunho de Cristo, e Cristo é a chave hermenêutica das Escrituras.

Cremos que as Escrituras são suficientes, claras nas questões essenciais à salvação, necessárias e infalíveis em tudo o que afirmam. Confessamos a inerrância dos autógrafos, isto é, do texto tal como originalmente inspirado pelo Espírito Santo, e afirmamos que nenhuma variante textual presente nas cópias e traduções compromete qualquer doutrina fundamental da fé cristã. A pregação fiel e expositiva da Igreja é o meio ordinário pelo qual a Palavra de Deus é proclamada e aplicada aos corações pelo Espírito Santo, para salvação, edificação e transformação.

Base bíblica · Dt 4.2; Sl 19.7-11; Sl 119.105; Pv 30.6; Is 55.10-11; Mt 5.18; Lc 24.27; Jo 1.1; Jo 1.14; Jo 5.39; Jo 10.35; Jo 17.17; At 1.16; Rm 10.17; 1Co 2.13; Gl 1.11-12; 1Ts 2.13; 2Tm 3.16-17; Hb 1.1-2; Hb 4.12; 2Pe 1.20-21; 2Pe 3.16; Ap 19.13; Ap 22.18-19.

( PARTE IV )

Criação, humanidade e pecado

Artigos 10–12

10

Anjos, Satanás e os Demônios

Cremos que Deus criou os anjos como seres espirituais, pessoais e santos, para servi-Lo e adorá-Lo. Alguns desses anjos, sob a liderança daquele que se tornou Satanás, rebelaram-se contra Deus, tornando-se demônios e inimigos do propósito divino. Satanás é um ser criado, finito e já derrotado pela cruz e pela ressurreição de Cristo, ainda que continue a operar como adversário até o juízo final, quando será lançado no lago de fogo. A Igreja, em Cristo, tem autoridade espiritual sobre as obras das trevas, mas reconhece que a vitória pertence ao Cordeiro, e que toda batalha espiritual é travada na confiança em Cristo, pela Palavra, pela oração e pela santidade.

Base bíblica · Gn 3.1-15; Jó 1.6-12; Sl 103.20; Is 14.12-15; Mt 4.1-11; Mt 25.41; Lc 10.18-20; Jo 12.31; Ef 6.10-18; Cl 2.15; Hb 1.14; Tg 4.7; 1Pe 5.8-9; 1Jo 3.8; Ap 12.7-12; Ap 20.10.

11

O Ser Humano: Criação e Natureza

Cremos que o ser humano, homem e mulher, foi criado por Deus à Sua imagem e semelhança, como obra-prima da criação visível, dotado de dignidade, racionalidade, afetividade, liberdade e responsabilidade moral. Confessamos que o homem é um ser integral, composto de corpo (parte material formada do pó da terra); alma (sede da vida psíquica, da personalidade e dos afetos); e espírito (dimensão mais elevada da natureza humana, criada para a comunhão com Deus). Reconhecemos que a Escritura, em certos textos, fala apenas de corpo e alma/espírito como aspectos do ser humano, e cremos que tal linguagem não contradiz a complexidade tripartite da pessoa humana, mas descreve-a de outro ângulo. Tanto o homem quanto a mulher refletem, de forma plena e igual, a imagem de Deus, e foram criados em complementaridade para o louvor da Sua glória.

Base bíblica · Gn 1.26-28; Gn 2.7; Gn 2.18-24; Jó 12.10; Ec 12.7; Zc 12.1; Mt 10.28; Lc 1.46-47; 1Co 2.14-15; 1Co 14.14; 1Ts 5.23; Hb 4.12; Tg 3.9.

12

A Queda e o Pecado

Cremos que a Queda não é mito, parábola ou alegoria, mas evento histórico pelo qual o pecado foi introduzido na raça humana. Nossos primeiros pais, criados em estado de retidão e com real capacidade de obedecer a Deus, por ato voluntário de rebelião, instigados por Satanás, transgrediram a ordem divina no Éden. Desde então, toda a humanidade, herdando a culpa e a corrupção adâmicas, vive em estado de alienação em relação a Deus, a si mesma, ao próximo e à criação. O pecado introduziu no mundo a morte em suas três dimensões: física, espiritual e eterna. A imagem de Deus no ser humano não foi aniquilada, mas profundamente deformada; a vontade humana tornou-se escrava do pecado, incapaz de escolher o bem espiritual ou buscar a Deus por iniciativa própria, a menos que seja liberta pela graça soberana.

Base bíblica · Gn 2.17; Gn 3.1-24; Sl 51.5; Sl 90.3; Ez 18.20; Jr 17.9; Rm 3.10-12; Rm 3.23; Rm 5.12-19; Rm 6.23; Rm 7.18; 1Co 15.21-22; Ef 2.1-3; Tg 1.15; Hb 9.27; Ap 21.8.

( PARTE V )

A graça e a salvação

Artigos 13–20

13

A Eleição e a Predestinação

Cremos que, antes da fundação do mundo, Deus, em Sua soberania e amor, escolheu em Cristo um povo para a salvação, não com base em méritos ou fé previstos na criatura, mas unicamente segundo o beneplácito de Sua vontade. A presciência divina, nas Escrituras, não significa meramente conhecimento antecipado de acontecimentos futuros, mas conhecimento íntimo e eletivo: Deus conhece os Seus porque, em amor, os escolheu desde a eternidade. Essa eleição não anula a responsabilidade humana, não torna a pregação inútil, nem produz orgulho. Antes, é fonte de humildade, gratidão, segurança e zelo missionário. Quanto à reprovação dos não eleitos, confessamos com reverência o silêncio das Escrituras nos pontos que ela não nos revela, afirmando apenas o que ela afirma: que Deus é justo, que ninguém é condenado injustamente, e que toda condenação é fruto do pecado humano voluntário.

Base bíblica · Dt 7.6-8; Sl 65.4; Mt 22.14; Jo 6.37; Jo 6.44; Jo 13.18; Jo 15.16; Jo 17.6-9; At 13.48; Rm 8.29-30; Rm 9.11-23; Rm 11.2; Ef 1.4-5; Ef 1.11; 1Pe 1.2; 2Tm 1.9; 2Ts 2.13.

14

A Graça de Deus

Cremos que toda a salvação procede unicamente da graça de Deus. A Escritura nos ensina sobre duas formas distintas de graça. A graça comum é o favor não salvífico que Deus dispensa a todos os seres humanos indistintamente: restringe o poder destrutivo do pecado, mantém a ordem moral e natural do mundo, concede habilidades culturais, científicas e artísticas, e provê bênçãos materiais como o sol, a chuva e o alimento. A graça especial, ou salvífica, é a operação eficaz do Espírito Santo que infalivelmente chama, regenera, justifica, adota, santifica e finalmente glorifica os eleitos de Deus. É o amor divino em ação, que vence a resistência da vontade humana, sem violá-la, libertando-a para amar a Deus livremente. A graça, assim, não anula a liberdade humana; antes, ela a redime.

Base bíblica · Sl 145.9; Mt 5.45; At 14.17; At 17.25-28; Rm 2.4; Rm 5.20; Rm 8.29-30; Rm 11.6; 1Co 15.10; 2Co 4.6; Ef 1.36; Ef 2.4-9; Tt 2.11; Tt 3.4-7.

15

A Salvação: Visão Geral e Ordo Salutis

Cremos que a salvação é a obra soberana, gratuita e poderosa do Deus Triúno, pela qual o pecador morto em delitos e pecados é resgatado do pecado, da morte e da justa ira divina, reconciliado com Deus e introduzido na vida eterna. Confessamos que essa obra se desdobra em uma sequência lógica e bíblica, ainda que muitas dessas realidades ocorram simultaneamente no tempo: o chamado eficaz do Espírito, a regeneração que faz do morto um vivo, a fé e o arrependimento concedidos como dons, a justificação que declara o crente justo perante Deus, a adoção que o faz filho, a santificação progressiva que o conforma à imagem de Cristo, a perseverança que o sustenta até o fim, e a glorificação que finalmente o reveste de incorruptibilidade. Toda essa obra é de Deus, e a Ele somente pertence a glória.

Base bíblica · Jr 31.33; Ez 36.26-27; Jo 1.12-13; Jo 3.3-8; Jo 6.44; Jo 6.65; At 16.14; Rm 8.29-30; Rm 10.13-17; 1Co 1.30; 1Co 2.14; 2Co 5.17-21; Ef 2.1-10; Fp 1.6; Fp 1.29; Tt 3.4-7; Tg 1.18; 1Pe 1.3.

16

Regeneração, Fé e Arrependimento

Cremos que a regeneração é a obra monergística do Espírito Santo, pela qual Ele vivifica o pecador espiritualmente morto, removendo-lhe o coração de pedra e dando-lhe um coração de carne, para que possa enxergar o Reino de Deus, crer em Cristo e arrepender-se de seus pecados. A fé salvífica é o dom de Deus pelo qual o pecador, vendo a beleza de Cristo no Evangelho, confia inteiramente nEle como Senhor e Salvador, descansando em Sua obra consumada. O arrependimento bíblico (metanoia) é a mudança radical de mente, valores e direção, concedida pela graça, que leva o pecador a abandonar a autossuficiência e o pecado, a fim de abraçar o senhorio de Cristo. Fé e arrependimento são duas faces da mesma graça de conversão, ambas concedidas por Deus, ambas exercidas pelo crente. O Evangelho sem o chamado ao arrependimento é um Evangelho mutilado.

Base bíblica · Is 55.7; Mt 3.8; Mc 1.15; Lc 13.3; Lc 24.47; Jo 1.12-13; Jo 3.3-8; Jo 6.29; At 2.38; At 3.19; At 11.18; At 16.14; At 17.30; At 20.21; At 26.20; Rm 10.17; 2Co 7.10; Ef 2.8-9; Fp 1.29; 2Tm 2.25; Tg 1.18; 1Pe 1.23.

17

Justificação Somente pela Fé

Cremos que a justificação é o ato judicial, gratuito e instantâneo de Deus, pelo qual Ele, por causa do sangue e da justiça perfeita de Cristo, perdoa todos os pecados, passados, presentes e futuros, e declara justo, à Sua vista, o pecador que crê. A justificação não é a transformação interior do crente (essa é a santificação), mas a declaração legal sobre seu estado diante de Deus. Ela se dá somente pela fé, mas não por causa da fé como se esta fosse obra meritória, mas, sim, por meio da fé como instrumento que recebe a justiça imputada de Cristo. As boas obras são fruto necessário e evidência inevitável da fé verdadeira, mas jamais a base ou a causa da aceitação do crente diante de Deus. Toda adição de obras humanas à justificação anula a graça e corrompe o Evangelho.

Base bíblica · Gn 15.6; Hc 2.4; Lc 18.9-14; Jo 5.24; At 13.39; Rm 1.17; Rm 3.21-28; Rm 4.1-8; Rm 5.1; Rm 8.1; Rm 11.6; 1Co 6.11; 2Co 5.21; Gl 2.16; Gl 2.21; Gl 3.10-14; Ef 2.8-9; Fp 3.9; Tg 2.14-26.

18

Adoção, Santificação e Glorificação

Cremos que, justificados pela fé, somos também adotados por Deus como filhos amados, recebendo o Espírito de adoção pelo qual clamamos: Aba, Pai. Como filhos, somos coerdeiros com Cristo, gozamos de pleno acesso ao Pai e somos tratados com paciência, disciplina e amor paternais. Confessamos que à justificação segue-se inseparavelmente a santificação: a obra progressiva e vitalícia do Espírito Santo, pela qual o crente, em cooperação ativa com a graça, é separado do pecado, conformado à imagem de Cristo e habilitado para boas obras. A santificação envolve a mortificação do velho homem e a vivificação do novo, e jamais é perfeita nesta vida. Ela culminará na glorificação, quando, na vinda de Cristo, seremos plenamente conformados à Sua imagem, recebendo corpos incorruptíveis e gloriosos.

Base bíblica · Jo 1.12-13; Rm 6.1-14; Rm 8.13-17; Rm 8.29-30; Rm 12.1-2; 1Co 1.30; 1Co 15.42-44; 2Co 3.18; 2Co 7.1; Gl 4.4-7; Ef 1.4-5; Ef 4.22-24; Fp 1.6; Fp 2.12-13; Cl 3.5-10; 1Ts 4.3; 1Ts 5.23; Hb 12.5-11; Hb 12.14; 1Pe 1.15-16; 1Jo 3.1-3.

19

A Perseverança e a Segurança dos Santos

Cremos que aqueles que foram verdadeiramente eleitos pelo Pai, redimidos pelo Filho, regenerados, justificados e selados pelo Espírito Santo jamais cairão final e totalmente da graça, mas perseverarão na fé até o fim e serão eternamente salvos. Essa segurança não repousa na força da vontade humana, sempre frágil, mas na fidelidade imutável de Deus, no valor infinito do sacrifício de Cristo e na intercessão presente do Sumo Sacerdote. Embora o crente possa cair em pecados graves e por tempo considerável, contristando o Espírito e prejudicando Seu testemunho, o Espírito Santo o levará invariavelmente ao arrependimento. Aqueles que dão evidência de apostatar da fé e renunciar definitivamente a Cristo demonstram que, na verdade, nunca foram regenerados, ainda que tivessem confissão exterior de fé.

Base bíblica · Jr 32.40; Mt 24.13; Jo 6.37-40; Jo 10.27-29; Jo 17.11-12; Rm 5.9-10; Rm 8.28-39; Rm 11.29; 1Co 1.8-9; Fp 1.6; 2Ts 3.3; 2Tm 1.12; 2Tm 4.18; Hb 7.25; Hb 10.14; 1Pe 1.5; 1Jo 2.19; 1Jo 5.13; Jd 24.

20

O Evangelho

Cremos que o Evangelho é a Boa-Nova da intervenção redentora de Deus na história humana por meio da vida, morte, sepultamento, ressurreição, ascensão e atual reinado de Jesus Cristo. É o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. O Evangelho proclama que Jesus é o Senhor, e que somente nEle há perdão de pecados, justificação, adoção, vida eterna, restauração da pessoa, da comunidade e, no fim, de toda a criação. É um único Evangelho, sem adições ou subtrações, anunciado universalmente, e cujo conteúdo é inegociável. Qualquer outro evangelho, fundado em obras, méritos, sincretismos, prosperidade material como fim ou autoaperfeiçoamento, é anátema.

Base bíblica · Is 52.7; Mc 1.1; Mc 1.14-15; Lc 4.18-19; At 4.12; At 20.24; Rm 1.1-4; Rm 1.16-17; Rm 10.9; 1Co 1.18; 1Co 15.1-4; 2Co 4.4; Gl 1.6-9; Ef 1.13; Ef 2.17; Cl 1.5-6; 1Ts 1.5; 1Pe 1.12; Ap 14.6-7.

( PAUSA )

Você não precisa ter respostas prontas para fazer parte.

Na Reino, todo mundo é bem-vindo, inclusive quem está cheio de dúvidas.

A jornada belong · believe · become
Cinco pessoas da Reino em volta de uma cadeira, de branco, no estúdio
( PARTE VI )

Discipulado, Igreja e missão

Artigos 21–26

21

O Discipulado e a Vida Cristã

Cremos que o discipulado não é programa, etapa ou opção avançada da vida cristã, mas o estilo de vida normal de todo cristão. É o processo contínuo de seguir a Jesus, ser transformado por Ele e participar de Sua missão. Confessamos que o cerne do discipulado é imitar a Cristo, e, por isso, não há discipulado sem cruz. Isso implica abraçar uma vida de amor sacrificial, serviço, simplicidade, oração, leitura e meditação das Escrituras, comunhão, testemunho e disposição ao sofrimento pelo Evangelho. O cristão é chamado a viver coram Deo, isto é, diante da face de Deus, em todas as áreas da existência, sabendo que a santidade pessoal, a vida familiar, o trabalho, a economia, o lazer e a cidadania são esferas em que Cristo deve reinar.

Base bíblica · Mt 5.13-16; Mt 16.24-26; Mt 28.18-20; Mc 8.34-35; Lc 9.23-24; Lc 14.25-33; Jo 12.24-25; Jo 13.34-35; Jo 15.1-11; Rm 6.6; Rm 12.1-2; 2Co 5.15; Gl 2.20; Fp 3.7-14; Cl 3.1-3; 1Pe 2.21; 1Jo 2.6.

22

A Igreja

Cremos que a Igreja é o povo de Deus convocado dentre todas as nações, o Corpo de Cristo, a Noiva do Cordeiro e o Templo do Espírito Santo. É a comunhão viva dos redimidos de todas as eras, eleitos pelo Pai, comprados pelo Filho e habitados pelo Espírito Santo. Confessamos que ela é una, santa, católica (universal) e apostólica. A Igreja universal manifesta-se em igrejas locais, comunidades visíveis de discípulos batizados, congregados em torno da Palavra, dos sacramentos, da oração, da comunhão e do testemunho. A Igreja não é, ela mesma, salvadora, somente Cristo o é, mas é o lugar ordinário onde a salvação é proclamada, recebida pela fé, celebrada nos sacramentos e vivida em comunhão. Fora de Cristo não há salvação; e onde há salvação em Cristo, há Igreja.

Base bíblica · Mt 16.18; Mt 18.17-20; At 2.42-47; At 20.28; Rm 12.4-8; 1Co 1.2; 1Co 12.12-27; Ef 1.22-23; Ef 2.19-22; Ef 3.10; Ef 4.4-6; Ef 5.25-27; Cl 1.18; 1Tm 3.15; Hb 12.22-23; 1Pe 2.9-10; Ap 5.9-10; Ap 21.2.

23

Os Sacramentos: o Batismo e a Ceia do Senhor

Cremos que Cristo instituiu duas ordenanças (ou sacramentos) para a Sua Igreja: o batismo e a Ceia do Senhor. Ambos são sinais visíveis e selos da graça invisível, dados para confirmar a fé, proclamar o Evangelho e edificar o Corpo. Não conferem graça automaticamente (ex opere operato), mas são meios pelos quais o Espírito Santo, soberanamente, abençoa os que os recebem pela fé.

O batismo é o sinal de iniciação na aliança da graça, no qual o crente é mergulhado na confissão pública de sua união com Cristo em Sua morte, sepultamento e ressurreição, professando arrependimento, fé e nova vida. A Ceia do Senhor é a refeição da nova aliança, na qual a Igreja, ao partir o pão e beber o cálice, anuncia a morte do Senhor até que Ele venha, alimenta-se espiritualmente de Cristo pela fé e celebra a comunhão dos santos. Ambos os sacramentos pertencem à Igreja, devem ser administrados sob ministério legítimo, e jamais devem ser tratados com leviandade ou superstição.

Base bíblica · Mt 26.26-29; Mt 28.18-20; Mc 14.22-25; Lc 22.14-20; At 2.38-41; At 8.36-38; Rm 6.3-5; 1Co 10.16-17; 1Co 11.23-32; Gl 3.27; Cl 2.11-12; 1Pe 3.21.

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Governo, Ministério e Disciplina da Igreja

Cremos que Cristo é o único cabeça da Igreja, e que toda autoridade eclesiástica é ministerial e derivada da Sua. O governo da Igreja local é exercido por presbíteros (também chamados de pastores ou bispos) e diáconos, segundo o padrão neotestamentário, escolhidos conforme as qualificações bíblicas, em pluralidade, comunhão e prestação de contas mútua. À congregação cabe reconhecer, sustentar e submeter-se ao ministério, e à liderança cabe servir, ensinar, cuidar, corrigir e exemplificar.

Cremos também na disciplina eclesiástica como mandamento de Cristo e marca essencial da Igreja saudável. Praticada com mansidão, justiça, paciência e visando à restauração, ela protege o nome de Cristo, a santidade da comunidade e a alma do pecador. Reconhecemos, finalmente, que a Igreja deve buscar a comunhão visível com outras igrejas fiéis, em humildade e amor, manifestando assim a unidade do Corpo de Cristo.

Base bíblica · Mt 18.15-20; At 6.1-6; At 14.23; At 20.17-35; Rm 12.6-8; 1Co 5.1-13; 1Co 12.28; Ef 4.1-3; Ef 4.11-16; Fp 1.1; 1Ts 5.12-13; 1Tm 3.1-13; 1Tm 5.17-20; Tt 1.5-9; Hb 13.7; Hb 13.17; 1Pe 5.1-5.

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Os Cinco Ministérios e os Dons Espirituais

Cremos que o Cristo ressurreto e ascendido, ao subir aos céus, deu dons à Sua Igreja: apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres, para o aperfeiçoamento dos santos, a obra do ministério e a edificação do Corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e à medida da estatura completa de Cristo. Distinguimos, com cuidado, entre o ofício apostólico fundacional, exclusivo dos Doze e de Paulo, testemunhas oculares do Cristo ressurreto, autores das Escrituras do Novo Testamento e fundamento sobre o qual a Igreja foi edificada, que é único e irrepetível, e o dom ministerial apostólico, que continua na Igreja como serviço de plantação de igrejas, supervisão translocal e envio missionário, sempre submisso à autoridade das Escrituras já encerradas no cânon.

Cremos que os dons espirituais concedidos no Pentecostes não foram restritos à era apostólica, mas permanecem como herança da Igreja até a volta de Cristo. O Espírito Santo continua, soberanamente, a distribuir dons de revelação, poder e proclamação para a edificação da Igreja, a evangelização do mundo e a glorificação de Cristo. Tais dons devem ser desejados, exercidos em amor, ordem e submissão à Palavra escrita, e jamais colocados acima das Escrituras nem usados como acréscimo de revelação ao cânon, que está completo e fechado.

Base bíblica · Mc 16.17-20; Jo 14.12; At 2.17-18; At 2.39; Rm 11.29; Rm 12.4-8; 1Co 1.7; 1Co 12.4-11; 1Co 12.28-31; 1Co 14.1-40; Gl 3.5; Ef 2.20; Ef 4.7-16; 1Ts 5.19-21; 1Tm 4.14; 2Tm 1.6; 1Pe 4.10-11.

( ARTIGO 26 )

A Missão da Igreja

Cremos que a Igreja existe para a glória de Deus e foi enviada ao mundo por Cristo. Sua missão é integral: proclamar o Evangelho a todos os povos, fazer discípulos, batizá-los em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensiná-los a guardar tudo o que Cristo ordenou, plantar igrejas, fazer o bem a todos, especialmente aos da família da fé, e ser luz, sal e cidade no meio do mundo. A evangelização e a ação social não se opõem: são expressões inseparáveis de um mesmo Evangelho, que alcança o ser humano por inteiro e a criação por completo. A Igreja anuncia a Cristo até os confins da terra, sabendo que a missão tem um fim: a consumação do Reino, quando o conhecimento da glória do Senhor cobrirá a terra como as águas cobrem o mar.

Base bíblica · Is 11.9; Hc 2.14; Mt 5.13-16; Mt 24.14; Mt 28.18-20; Mc 16.15; Lc 24.46-49; Jo 17.18; Jo 20.21; At 1.8; At 13.1-3; Rm 1.5; Rm 10.13-15; Rm 15.20-21; 2Co 5.18-20; Gl 6.10; 1Pe 2.9; Ap 5.9; Ap 7.9-10.

“E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim.”

Mateus 24:14

( PARTE VII )

Vida, família e justiça

Artigos 27–28

27

Casamento, Família e Sexualidade

Cremos que o casamento é uma instituição divina, estabelecida por Deus na criação, antes da Queda, como pacto exclusivo, fiel e duradouro entre um homem e uma mulher, símbolo do mistério de Cristo e da Igreja. Confessamos que Deus criou o ser humano homem e mulher, com identidades sexuais boas, complementares e indissociáveis da biologia recebida do Criador. A intimidade sexual, dádiva de Deus, é dom exclusivo do casamento heterossexual e monogâmico. Toda forma de relação sexual fora desse pacto, incluindo fornicação, adultério, relações homoafetivas, poligamia e todas as expressões de imoralidade, é contrária à vontade revelada de Deus. Confessamos também a dignidade e o valor sagrado da vida humana, desde a concepção até a morte natural. Tudo isso afirmamos com firmeza doutrinária e ternura pastoral, reconhecendo que todos somos pecadores carentes da graça de Cristo, que perdoa, transforma e restaura.

Base bíblica · Gn 1.27-28; Gn 2.18-25; Êx 20.13-14; Sl 139.13-16; Pv 6.32; Mt 19.4-6; Mc 10.6-9; Rm 1.24-27; 1Co 6.9-11; 1Co 6.18-20; 1Co 7.1-5; Ef 5.22-33; 1Ts 4.3-8; Hb 13.4; 1Tm 5.8.

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Justiça, Misericórdia e Compaixão

Cremos que a verdadeira piedade se manifesta no cuidado prático com os órfãos, as viúvas, os estrangeiros, os pobres, os enfermos e os oprimidos. A justiça bíblica não é apenas retributiva, mas também restaurativa e generosa. A generosidade cristã busca aliviar o sofrimento humano e combater as injustiças estruturais que ferem a dignidade do ser humano, criado à imagem de Deus. Ignorar o pobre é desprezar o Criador, e desprezar o pequeno é desprezar a Cristo. Por isso, o povo de Deus é chamado a praticar misericórdia, sustentar a causa do necessitado, repartir o pão com o faminto, abrir as portas ao estrangeiro e amar ao próximo como a si mesmo, manifestando a Cristo no mundo.

Base bíblica · Êx 22.21-27; Lv 19.9-18; Dt 10.18-19; Dt 15.7-11; Sl 82.3-4; Sl 146.7-9; Pv 14.31; Pv 19.17; Pv 31.8-9; Is 1.17; Is 58.6-10; Jr 22.16; Mq 6.8; Mt 5.7; Mt 25.31-46; Lc 10.25-37; Gl 2.10; Gl 6.10; Tg 1.27; Tg 2.14-17; 1Jo 3.17-18.

( PARTE VIII )

Israel e as últimas coisas

Artigos 29–32

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Israel, a Igreja e os Propósitos de Deus

Cremos que Deus, em Sua soberana fidelidade, escolheu a Israel como povo da aliança, mediador da revelação e canal humano pelo qual viria o Messias. Em Cristo, ramos das nações foram enxertados na oliveira de Israel, formando, com o remanescente fiel, um só povo de Deus. Confessamos que as promessas de Deus a Israel não foram anuladas, mas cumpridas e ampliadas em Cristo e em sua Igreja. Reconhecemos que Deus continua a operar entre o povo judeu e cremos, com humildade, na expectativa apostólica de que muitos em Israel, no plano divino da história, virão a reconhecer Jesus como o Messias. Rejeitamos toda forma de antissemitismo, bem como toda teologia que coloque Israel como meio paralelo ou alternativo de salvação ao Evangelho de Cristo. Há um só Salvador, um só Evangelho, um só povo redimido em Cristo.

Base bíblica · Gn 12.1-3; Dt 7.6-8; Is 49.6; Jr 31.31-34; Mt 1.1; Lc 2.32; Jo 4.22; At 3.25-26; Rm 1.16; Rm 9.1-5; Rm 10.1; Rm 11.1-32; Gl 3.7-9; Gl 3.28-29; Gl 6.16; Ef 2.11-22; Ef 3.6; Hb 8.6-13.

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O Estado Intermediário

Cremos que, entre a morte física e a ressurreição corporal no Juízo Final, a alma do ser humano não deixa de existir, nem dorme inconsciente, o chamado “sono da alma”, nem reencarna em outros corpos. Rejeitamos a doutrina do purgatório como lugar de purificação após a morte, pois a obra expiatória de Cristo é plena e suficiente. Após a morte, os salvos vão imediatamente à presença de Cristo, em estado de consciência, descanso e alegria, aguardando a ressurreição de seus corpos. Os não salvos, por sua vez, descem ao Hades, estado intermediário de consciência, sofrimento e separação de Deus, aguardando o Juízo Final e a sua sentença definitiva no lago de fogo, que é distinto do Hades e a ele posterior.

Base bíblica · Ec 12.7; Lc 16.19-31; Lc 23.43; At 7.59; 2Co 5.1-9; Fp 1.21-23; Hb 9.27; Hb 12.23; Ap 6.9-11; Ap 20.13-15.

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A Volta de Cristo e o Juízo Final

Cremos que Jesus Cristo voltará pessoal, corporal, visível e gloriosamente, em poder e majestade, para julgar os vivos e os mortos, consumar a redenção e estabelecer plenamente o Seu Reino. Quanto ao tempo dessa vinda, ninguém o conhece senão o Pai, e a Igreja é chamada a vigiar, perseverar e anunciar o Evangelho até esse dia. Quanto aos detalhes do Milênio e da ordem dos eventos finais, reconhecemos a existência de interpretações fiéis distintas entre cristãos sinceros, e não dogmatizamos pormenores que a Escritura não dogmatiza. Cremos firmemente que haverá a ressurreição corporal dos justos e dos injustos, juízo justo e universal diante do Trono de Cristo, separação eterna entre salvos e perdidos, e a destruição definitiva da morte, do pecado e do mal.

Base bíblica · Sl 96.13; Dn 7.13-14; Mt 24.30-44; Mt 25.31-46; Jo 5.28-29; At 1.11; At 17.31; At 24.15; Rm 14.10-12; 1Co 15.20-28; 1Co 15.51-58; 1Ts 4.13-18; 2Ts 1.6-10; 2Tm 4.1; Hb 9.27-28; 2Pe 3.10-13; Ap 19.11-16; Ap 20.11-15.

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A Nova Criação e a Glória Eterna

Cremos que, no fim, Deus libertará a criação inteira do cativeiro da corrupção, restaurando todas as coisas em Cristo. A redenção não é fuga da matéria, mas a transformação dela. A eternidade dos salvos não será vivida em nuvens etéreas, mas em uma terra renovada, purificada pelo fogo e unida ao céu, onde habitará justiça. Os corpos dos salvos serão ressuscitados, transformados, revestidos de incorruptibilidade, glória e poder. Veremos a Deus face a face, contemplaremos a glória do Cordeiro, serviremos ao nosso Deus dia e noite no Seu Templo, e com Ele reinaremos para todo o sempre. Será o fim definitivo da morte, do luto, do pranto, do clamor e da dor. Esta é a nossa bendita esperança, e por ela vivemos, anunciamos o Evangelho e perseveramos até o fim.

Base bíblica · Is 11.6-9; Is 25.6-9; Is 65.17-25; Is 66.22; Sl 102.25-26; Mt 19.28; At 3.21; Rm 8.18-25; 1Co 15.42-58; Ef 1.10; Cl 1.20; 2Pe 3.10-13; Ap 21.1-7; Ap 21.22-27; Ap 22.1-5.

( PARTE IX )

Mordomia e prestação de contas

Artigos 33–33

33

Mordomia, Ofertas e Prestação de Contas

Cremos que Deus é o dono de todas as coisas, e que o ser humano é mordomo, não proprietário, daquilo que recebe. Os dízimos e as ofertas são atos voluntários de adoração, gratidão e participação na missão, entregues com alegria e liberalidade, nunca sob coação, constrangimento ou promessa de barganha com Deus. Rejeitamos todo uso do Evangelho como meio de enriquecimento pessoal e toda manipulação que condicione o favor divino à contribuição financeira. Nossa generosidade não compra a graça, antes responde a ela, fluindo daquEle que, sendo rico, por amor de nós Se fez pobre, para que pela Sua pobreza fôssemos enriquecidos. Confessamos que os recursos entregues à Igreja pertencem ao Senhor e à Sua obra e devem, portanto, ser administrados com integridade e diligência, sob orçamento apreciado pelo conselho, com registros contábeis regulares, prestação de contas à membresia e cuidado do que é honesto, não apenas diante do Senhor mas também diante dos homens. A liderança da igreja é despenseira, não dona, dos bens da casa de Deus: apascenta o rebanho de boa vontade, não por torpe ganância, e será julgada com maior rigor. O verdadeiro tesouro, a Igreja o ajunta no céu; e o seu descanso não está nas riquezas, incertas por natureza, mas no Deus vivo, que tudo nos concede abundantemente para de tudo gozarmos.

Base bíblica · Sl 24.1; 1Cr 29.14; Pv 3.9-10; Ml 3.8-10; Mt 6.19-21; Mt 6.24; Lc 16.10-13; At 20.33-35; 1Co 4.2; 1Co 16.1-2; 2Co 8.1-9; 2Co 8.20-21; 2Co 9.6-8; 1Tm 6.6-10; 1Tm 6.17-19; Hb 13.5; Tg 5.1-5; 1Pe 5.2-3.

Não somos uma religião; somos um estilo de vida.

Ao Rei eterno, imortal, invisível, Deus único, ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, sejam dadas, por esta Igreja e por todas as igrejas, em todos os tempos e em todos os lugares, toda honra, toda glória, todo poder, todo louvor, toda adoração e toda obediência, agora e pelos séculos dos séculos. Amém.

Edição revisada · 2026

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